quinta-feira, 30 de julho de 2015


Para mim os livros do John Boyne são divididos em duas categorias. Os muito bons, vide O Palácio de Inverno, O Menino do Pijama Listrado e Fique Onde Está e Então Corra, e os nhé. como o chatissimo Noah Foge de Casa e infelizmente, A Casa Assombrada.


O livro, narrado em primeira pessoa, nos apresenta Eliza Caine, moça pouco atraente de 21 anos que vive com o pai e trabalha como professora em uma escola para meninas em Londres. Até que o pai morre, e sem saída nem grandes perspetivas, Eliza aceita às presas o trabalho como governanta e tutora das crianças de Gaudlin Hall, onde se vê responsável por Isabella e Eustace, únicos habitantes da mansão.

A vida de Eliza seria agradável se coisas muito estranhas não começassem a acontecer. Fortíssimos vendavais que se inciam e param do nada, janelas lacradas que se deslacram, mãos invisíveis que agarram tornozelos na escuridão noturna. Uma bela tentativa de John Boyne contar uma história de terror. Uma pena que não tenha dado certo.


Eu tentei, juro que tentei, não comparar com Stephen King, mas é inevitável. John Boyne pecou no principal: o mistério. Não há preparação para os ataques da assombração. O terror é cru, mal formulado, as situações são jogadas, aparecem e desaparecem em um piscar de olhos e não atiçam o medo do leitor.


A protagonista também não ajuda. Eliza vive fazendo perguntas a si mesma/ao leitor. “Será que existe alguém atrás da porta? Será que vai me pegar? Será que vai me matar? Será que vai machucar as crianças? Será que prefere biscoito ou bolacha?” e vive repetindo o quanto Isabella é reservada, Eustace um amor de menino  e o quanto é uma moça sem atrativos e sem perspectivas de casamento. A leitura é fluida, mas ok Eliza, já entendi, não precisa repetir esses fatos durante O LIVRO TODO!


O bacana do livro fica por conta da representação da repreensão das mulheres na época. A vizinha da mansão que deve obediência ao marido, o comentário de outro sobre o fato das mulheres lerem, e principalmente o horror de uma das professoras mais antigas da escola ao Eliza comentar sobre a possibilidade de uma de suas alunas virar gerente de banco.


Acredito que o livro agradará quem não costuma ler terror e também não conhece as outras obras do autor. Quem já leu, e se encantou com a narrativa de seus livros melhores, pense duas vezes antes de arriscar uma visita A Casa Assombrada.



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