segunda-feira, 20 de julho de 2015



Nesse final de semana, a equipe ELF resolveu checar a exposição “Aprendendo com Anne Frank - Histórias que ensinam valores” apresentada gratuitamente pelo Senac e que vai correr suas 56 bibliotecas até o final de 2016. A exposição é bastante curta e para quem leu o livro não oferece nada de novo, mas meu afilhado de 8 anos adorou e ficou bastante impressionado com a história dela. Saiba mais sobre a exposição -->  http://goo.gl/Lm3ct6
Como li o livro recentemente, a exposição coincidiu com a resenha.



Meu afilhado observando tudo





No final você redistribui os moradores do "Anexo Secreto"
conforme aprendeu na exposição



Vamos ao livro...



O diário de Anne Frank é a compilação das páginas de seu diário, feita após sua morte por seu pai, Otto Frank, e publicado pela primeira vez em 1947. Essa obra, comovente e perturbadora, é um dos maiores relatos sobre o período da segunda guerra mundial e, como sua consequência, a degradação do espírito humano, sendo considerado um dos livros mais importantes do século XX.





Em seu diário, presente recebido pelo seu 13º aniversário, Anne narra os dois anos nos quais sua família - seus pais e sua irmã Margot - é obrigada a passar em um esconderijo compartilhado com mais quatro amigos, também judeus, para escapar da perseguição nazista na Holanda, entre os anos de 1942 e 1944. Anne relata de forma vívida todas as dificuldades enfrentadas no confinamento, dentre os problemas de relacionamento entre as famílias, o tédio, a fome e principalmente a opressora e constante ameaça de descoberta e morte, bem como o medo do que isso acarretaria para os amigos que os ajudavam. Seus questionamentos sobre o antissemitismo provocam a reflexão do leitor ao mesmo tempo em que são desoladores, permeando constantemente o conflito quanto a culpa de lamentar a opressão do esconderijo ao mesmo tempo em que se considera privilegiada por estar em uma situação muito melhor do que a de outros judeus.


Anne era uma jovem forte, decidida, bem-humorada e desinibida que não tinha medo de falar a verdade, o que constantemente a fazia sentir-se isolada e diferente, especialmente pela frequente comparação com sua irmã mais velha. Em seu diário, ela descrevia de forma clara e surpreendentemente eloquente seus pensamentos mais íntimos sobre tudo e sobre todos, mas principalmente sobre si mesma, suas dúvidas, certezas, descobertas, desejos e esperanças, bem como todas as fortes emoções que passavam dentro si e o relacionamento conflituoso com sua mãe. As fortes convicções e opiniões tão características da adolescência, bem como o sentimento de incompreensão e conflito, além da ânsia de ser mais do que seus pais foram, são presença constante em sua escrita, que evidencia o processo de constante transformação de uma garota em uma jovem mulher, onde muitas vezes ela já não se reconhece em suas próprias memórias tal é sua mudança.


É absolutamente inspirador o seu esforço para não cair no desespero perante a situação opressora e vencer a melancolia, sua tentativa de manter-se positiva focando nas belezas da vida ao invés de sua miséria e não abrir mão dos seus sonhos, bem como seu ardente desejo de tornar-se a cada dia uma pessoa melhor. E também, como mulher, é edificante ver alguém tão jovem e com pensamentos tão fortes e a frente de seu tempo, que então já acreditava de maneira tão convicta no empoderamento feminino.



O final abrupto é absolutamente desolador, pois ele evidencia aquilo que não pôde ser escrito por Anne em seu diário, após terem sidos descobertos em seu esconderijo através da denúncia de um delator desconhecido. Em 1945, Anne foi declarada morta por tifo no campo de concentração para o qual havia sido enviada, poucas semanas antes dos judeus serem libertos pelas tropas britânicas. Dos oito refugiados do “Anexo Secreto”, apenas Otto Frank sobreviveu aos campos de concentração, retornando a Amsterdam. O sonho de Anne de tornar-se uma jornalista infelizmente nunca pode ser realizado e, como sua edição do diário, sua vida foi interrompida, mas de maneira póstuma tornou-se uma grande escritora como desejava, deixando um legado que tem emocionado a humanidade pelas últimas seis décadas.



É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração. 





2 comentários:

  1. Não li ainda (pois é u.u) mas está na minha listinha!

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    1. Curiosamente, eu também pensei: "Já passou da hora, vou ler". Esse é um livro classicamente lido ainda na escola e, por algum motivo, não li antes. Mas foi até uma boa decisão, acho que pude apreciá-lo melhor hoje.

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