segunda-feira, 31 de outubro de 2016


Baseado na história original de J.K. Rowling, Jack Thorne and John Tiffany, chega às livrarias do país, agora em português, o roteiro da antecipada peça teatral que conta a já polêmica oitava história de Harry Potter.

Livro da Livs, fotos da Tha e inveja da Jack ;D


Antes de ler, é extremamente necessário se tenha em mente que não se trata de um livro no sentido romance/novela da coisa, mas sim um roteiro de peça. Assim, o roteiro deve causar estranheza aos fãs mais ávidos que estão acostumados ao estilo detalhado de escrita de Rowling. Mais ainda, muitas simplificações foram feitas na tentativa clara de agilizar a longuíssima peça e dispensar certo tipo de explicações que se fariam necessárias e que funcionam melhor na literatura do que no palco. Mudanças quais hão de levantar questionamentos quanto a regras do universo que foram estabelecidas nos livros caso você, como eu, seja uma corvina detalhista e obcecada uma Potterhead dedicada.

Então, tomando a liberdade de ser redundante, reforço para que ao abrir o livro o leitor tenha em mente que se trata de um roteiro. Quem encarar esse conselho de forma leviana corre o enorme risco de ter a sensação de estar lendo uma fanfic, especialmente porque a história é extremamente mais rasa do que são os livros e não digo de forma crítica, mas constatando e salientando suas diferenças por ter visto muito fã que, muitas vezes baseado apenas nos spoilers, disse que “o novo livro da J.K.” era ruim. Devo esclarecer que terminei minha leitura há meses, mas que precisei de perspectiva e tempo para tentar ser mais imparcial quanto ao assunto, o que é muito difícil para mim em se tratando de cânone de Harry Potter.



Dito isso, a oitava história de Harry Potter é divertida e interessante, mas junto com muitos pontos positivos traz também uma boa carga de “deixou a desejar”.

Primeiramente, voltar ao meu universo fantástico favorito é obviamente o principal ponto positivo e, apesar da familiaridade, logo no princípio fica claro que se trata de algo novo e isso é também algo positivo. É emocionante ver meus heróis da juventude como adultos e entender como tudo aquilo pelo qual passamos juntos foi capaz de mudá-los para sempre e torná-los pessoas verdadeiras, com suas particularidades, alegrias e desafios do dia-a-dia. Nisso, a história acerta em cheio ao apresentar Harry, Rony, Gina e Hermione de forma convincente e em alguns momentos surpreendente no desenvolvimento de seus papéis como pais, cônjuges e profissionais; maduros e diferentes dos jovens que um dia conhecemos, mas cujos quais muito se pode ver neles ainda.

Outro ponto positivo e emocionante é conhecer finalmente os filhos dos nossos protagonistas. Posso dizer que Rose e James são tudo aquilo que eu poderia imaginar. Mas o destaque e todo o brilho da história em minha opinião, surpreendentemente, está no filho de Draco Malfoy, o Scorpius. Sério, o menino é genial e engraçado, extremamente cativante e um companheiro mais do que leal que carrega em si as melhores características de todas as casas e, apesar de não ser visto assim por seus colegas de escola, é um orgulho para qualquer sonserino.



Agora, devo dizer que a oitava história de Harry Potter não é tão sobre Harry Potter assim como é em realidade sobre seu filho Alvo. E chegamos então ao momento em que eu critico, não pela escolha, mas pelo desenvolvimento. Alvo Severo Potter não me convenceu completamente e achei suas motivações fracas, o que impacta a credibilidade da história como um todo. Entretanto, o personagem desperta em Harry alguns dos diálogos mais potentes da história, então ganhou alguns pontos comigo.

Porém, minha principal crítica e provavelmente da maioria das pessoas que leu, foi a inabilidade de desenvolver e apresentar um vilão crível. Depois de passar anos de nossas vidas temendo e odiando Voldemort, é difícil realmente apresentar um antagonista à altura e nisso a história falha grandemente, apresentando um passado beirando o absurdo resultando num presente pouco satisfatório.



Entretanto, na soma final, os pontos positivos da história superam os negativos, especialmente considerando que eu li imaginando de fato a apresentação da peça com o pouco do figurino e cenário que tinha visto por fotos, juntando a admiração que tenho pelo elenco e sua reverência à obra original, levando isso tudo para cima do palco. Eu li e minha imaginação completou as lacunas com a magia das páginas com as quais cresci, gerando a simples certeza de que esse é um espetáculo que eu adoraria ver ao vivo, mas que um DVD me satisfaria ;D

Então, em resumo, desprendendo-me da expectativa dos livros que precederam ao roteiro, posso dizer que apesar de algumas coisas que me incomodaram, eu aproveitei grandemente a leitura. Foi divertido e emocionante, quase como voltar para casa depois de um longo período fora. E como minha colega corvina, Luna Lovegood, costuma dizer: “...as coisas que perdemos sempre acabam voltando para nós, mas nem sempre da forma que esperamos.”.

There is never a perfect answer in this messy emotional world. Perfection is beyond the reach of humankind, beyond the reach of magic. In every shining moment of happiness is a drop of poison: the knowledge that pain will come again. Be honest to those you love, show your pain. To suffer is as human as to breathe.
Tradução livre
Não há nunca uma resposta perfeita nesse mundo emocional e confuso. Perfeição está além do alcance da humanidade, além do alcance da magia. Em cada brilhante momento de felicidade há uma gota de veneno: o conhecimento de que a dor virá novamente. Seja honesto com aqueles que você ama, mostre sua dor. Sofrer é tão humano quanto respirar.





4 comentários:

  1. Oi, Jack!
    Infelizmente, essa história não funcionou comigo. Me decepcionei bastante.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que pena, Luiza. Acho que como livro realmente decepciona, como peça funciona. Apenas algumas coisas que realmente foram bem viagem demais.
      Bjs.

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  2. Nossa, estou ansiosa pra ler, apesar dos pontos negativos! A gente que ama a saga acaba conferindo mesmo assim né? Mas levarei em conta as ressalvas pra alinhar melhor as expectativas.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    Respostas
    1. Oi, Mi.
      Realmente é leitura obrigatória para Potterhead, apesar de tudo. Espero que goste ^^
      Bjs

      Excluir

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