sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O título em inglês é bem apropriado para esse filme: “Hidden figures” (figuras ocultas ou escondidas), pois sabemos que ao longo da história muitos rostos ficaram ocultos enquanto outros ganhavam os louros e é bem disso que o filme se trata: Protagonismo. Me agrada muito quando uma história (fictícia ou não) transpassa a tela e, para mim, isso aconteceu em Estrelas Além do Tempo e já posso adiantar que foi um dos filmes mais marcantes -e emocionantes- que já vi! E é um outro nível de “emoção”.


O filme é baseado em fatos reais e narra a história de três mulheres negras: Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) que, por serem exímias matemáticas, trabalham na NASA. Tudo isso no começo da década de 1960 onde a segregação racial nos EUA era muito evidente não que ainda não seja, os direitos civis americanos ainda estavam caminhando para a verdadeira igualdade, Martin Luther King Jr. estava começando seus discursos, J. F. Kennedy também, os americanos estavam em plena Guerra Fria e a corrida espacial era o assunto do momento. 

Nesse contexto vamos conhecendo um pouco sobre essas três mulheres, suas aspirações e dificuldades em uma realidade na qual o racismo e o machismo eram tidos como algo absolutamente comum. Apesar dos diferentes níveis de abordagem e protagonismo o filme mostra como cada uma conseguiu se destacar, mostrar sua importância e valor dentro de várias formas de opressão por elas sofridas. Claro, o destaque para a história de Katherine é evidente e muito bem marcada, mas a superação das próprias barreiras internas de Mary e a sagacidade de Dorothy se unem para mostrar como cada uma se impôs e que mesmo com personalidades tão diferentes passavam por situações similares. Digo isso em relação a aprovação e valorização tanto profissional como pessoal e ouso dizer até mesmo “auto-valorização”, para quem viu: Katherine e o banheiro, Mary com os estudos e Octavia na cena da biblioteca.

Elenco incrível!! Sambando na cara da sociedade americana da déc. 60 (e além)! xD

Quando eu digo que o filme foi emocionante e marcante para mim é porque foi muito mais do que chorar em alguma cena, mas sim marcar internamente. Eu como mulher, como mulher negra, consigo entender todas as barreiras que elas passaram e que eu - em diferentes níveis, ainda enfrento, pois minha perspectiva é parecida com a delas. Não sei se isso atinge a maioria das pessoas, mas acredito que não. A mensagem do filme é passada de forma delicada, mas é recebida com um soco no estômago, sejamos sinceros quem nunca viu (ou até mesmo agiu) como Vivian Michael (Kirsten Dunst), Paul Stattord (Jim Parsons), Al Harrison (Kevin Costner) ou aquelas dezenas de figurantes que olhavam torto para uma pessoa negra?! *Momento de reflexão aqui. Pense de novo.*

Apesar de ter amado o filme não posso ignorar como aquilo tudo foi “suavizado”, não deve ter sido tão tranquilo enfrentar o racismo e o machismo dentro da NASA em pleno alvoroço da segregação racial da déc. 50/60. Imaginem então o que elas não sofreram ANTES, quando crianças, quando adolescentes, quando jovem mulheres negras com domínio fantástico dos números para chegar à NASA. Fica aqui o questionamento. O filme tem uma cadência, mas deve ter suavizado para não carregar na parte dramática, mas pode ter certeza que as mulheres reais sofreram muito mais.

O protagonismo branco -e também masculino- é outro questionamento que vi em alguns comentários e análises. Depois da explosão divosa de Katherine vemos um chefe tomando as dores e resolvendo o problema. Ele foi o “salvador” o dia, não que eu goste e nem tentando justificar, mas isso acontece em quase todos os filmes que já vi e que envolvem a questão racial nos EUA, sempre tem um personagem branco, seja mulher ou homem, tentando “equilibrar” e de certa forma legitimar essa luta, mesmo não pertencendo a ela. E também como forma de “amenizar” tudo que o protagonista negro vêm sofrendo. Aquele velho discurso do “nem todo branco/homem/hétero, etc.”. 

Vivian: Ao contrário do que você possa pensar, eu não tenho nada contra vocês negros.
Dorothy: Eu sei que você provavelmente acredita nisso.

Acredito na importância de tratar a individualidade de cada personagem e também seu novo modo de agir/pensar, mas é igualmente importante não exaltar isso, sobre a cena de Al e a placa, ele não fez mais que sua obrigação como pessoa de mais autoridade ali na NASA e não deve ser exaltado por ter feito o que é certo! Poderia ter sido abordado de forma diferente? Poderia, mas como disse Hollywood está aprendendo a engatinhar nessa temática, vamos aguardar o que vem pela frente! Faz uns dois anos que venho me dedicando a filmes com protagonistas negros e há muitas figuras escondidas por aí, como: “O mordomo da Casa Branca”, “Histórias Cruzadas”, “À Procura da Felicidade”, “Mãos Talentosas”, “A vida secreta das Abelhas” e muitos, muitoos outros. Todos esses de alguma forma trata de questões raciais (e temos um white person hero), mas são brilhantes e que recomendo fortemente!

Estrelas Além do Tempo é um filme necessário numa sociedade que ignora o racismo ou deixa tudo velado, como é o caso do Brasil, e sabe o que mais me encantou? Foi ver essas mulheres sendo verdadeiras estrelas, brilhando forte e alto! E como eu gostaria de ter assistido esse filme quando criança! Mostrando a representatividade que inconscientemente pedi, me identificando como me identifiquei. Eu poderia escrever muito mais sobre tudo que o filme representou para mim e sobre os vários temas e subtemas tratados, mas isso já está extenso demais! rsrs 

No mais, filme recomendadíssimo e por favor, levem TODOS para assistir, vale muito a pena! ♥

PS.: O filme é baseado no livro de mesmo nome e como toda adaptação teve suas mudanças, assim que ler faço minhas considerações sobre elas! :D

E você já assistiu Hidden Figures? 




4 comentários:

  1. As pessoas, e críticos diversos, etão dizendo bastante sobre!
    http://grandemetamorphose.blogspot.com.br/

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  2. Oi Denise!
    Não assisti ainda, mas pelos seus comentários parece ser um filme maravilhoso e com uma mensagem muito válida. Parece absurdo pensar que ainda exista tanto preconceito (e não só quanto a racismo, não é mesmo?), então é muito fácil imaginar o quão dificil deve ter sido a vida de mulheres como essas naquela época e naquele ambiente de trabalho. Vou colocar na minha listinha para assistir.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Mari!

      Assista, tenho certeza que vai se encantar com as mensagens passadas!
      Depois que assistir me conte o que achou!! *-*

      Bjs :*

      Excluir

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