quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Atendendo a uma das minhas resoluções de ano novo, depois de muito tempo voltei a ler algo de um autor que gosto muito. Com direito a gargalhadas e traumas não encomendados, Nick Hornby está de volta a minha vida e me deixou por um tempo com um ar de Glória Pires de “Não sou capaz de opinar”.


Uma de suas marcas registradas, Nick Horby brilha na personalidade obsessiva de seus personagens e seus relacionamentos fracassados, criando protagonistas reais mesmo quando absurdos -  pois todos nós somos um pouco absurdos - , com os quais é fácil se identificar aqui ou ali, senão por quase todo o caminho.

Para quem já leu Alta Fidelidade, sabe que música é um assunto pelo qual o autor caminha com delicadeza e facilidade, com a capacidade de transformar aquilo que é pessoal em universal. Dessa maneira, mesmo personagens que não sejam de fato musicais são profundamente afetados pela música e isso sempre gera uma reflexão interessante. Neste livro em específico, o autor cria um músico, uma arte e um legado de forma impressionante e isso se torna a base de toda a história e seus questionamentos.


Duncan, o professor universitário, ama Annie, a curadora de museu. Entretanto, Duncan não ama Annie tanto quanto ama Tucker Crowe, gênio musical que misteriosamente abandonou a fama e tornou-se um recluso.  Annie ama Duncan… Annie ama Duncan? Duncan ama mesmo Annie? Eles são um casal ou duas pessoas que vivem juntas para não viverem sós? Considerando que Tucker Crowe, que ninguém realmente sabe onde está ou se está sequer, jamais deixa a relação deles… Seria esse um bizarro triângulo amoroso? Quando se deixa de amar uma pessoa? Se é que algum dia tenha sido amor de fato… E o que fazer com o tempo investido na relação? O que é uma relação? Será que é tarde demais ou ainda dá tempo? Terá sido apenas tempo perdido?

Nick Hornby é isso: sempre muito mais dúvidas do que certezas. E como ele questiona bem! Bem vinda é a familiaridade de sua escrita afiada, divertida e sagaz, que faz com que você se pegue gargalhando no metrô ou fazendo análises curiosas junto com os personagens do livro. A verdade é que minha leitura foi sempre acompanhada de um sorriso nos lábios e sobrancelhas franzidas, quase sempre ao mesmo tempo. É difícil definir.

Delicado, “Juliet, Nua e Crua” é um livro que me emocionou e surpreendeu, tocou feridas que eu não sabia que estavam lá, as quais eu não imaginava que encontraria nessas páginas. Algumas sobre as quais ainda estou refletindo. Vlw Glória Pires

Ao fechar o livro, te resta aquela risadinha de quem fala de um amigo amigo de longa data, tipo “Aahhh esse Hornby…”. Aliás, escrevendo a resenha, carrego essa mesma risadinha… Foi um reencontro interessante.

Nota: 4/5 


“So it's not about what you do. It can't be, can it? It has to be about how you are, how you love, how you treat yourself and those around you, and that's where I get eaten up.”
Em tradução livre:
Então não se trata do que você faz. Não pode ser isso, pode? Tem que ser sobre como você é, como você ama, como você trata a si mesmo e àqueles a sua volta, e é aí que eu sou consumido.


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