quarta-feira, 14 de junho de 2017

No Dia da Aurora e nos que se seguiram, a população mundial sofreu grandes perdas, os seres humanos precisavam retomar a sua conexão com a natureza e com os deuses, desapegar de sentimentos egoístas e aprender a viver em situações extremas. Foi nesse dia que Marina, uma jovem brasileira, mostrou o porquê era considerada avatar de três deusas celtas. Ainda com pouca idade, a jovem não sabia da grande responsabilidade que estava em suas mãos: o destino de dois mundos.

Ainda criança Marina fora levada à Fazenda Tribo de Dana, um verdadeiro refúgio situado na Chapada dos Veadeiros e o lugar era muito mais que uma simples fazenda. Por lá os antigos ensinamentos e rituais celtas ainda eram preservados pelos druidas, guerreiros e seus descendentes. Não havia televisão, celulares ou internet, eles viviam da terra, do culto às deusas e deuses celtas, um lugar sem influência do mundo globalizado e que se mantinha através dos ensinamentos de seus ancestrais.

Marina é o avatar de três grandes deusas celtas: Dana, Brigith e Morrigan e isso trouxe grandes problemas à jovem e sua família. Para muitos religiosos ela era vista como o anticristo, assim ela e todos que a adoravam deveriam ser mortos. A Fazenda era o refúgio perfeito, lá a “Pequena Dana” estaria segura, sendo protegida por seus guerreiros e ensinada a controlar seu grande poder pelos sábios druidas. Mas o fanatismo religioso e o medo pelo desconhecido transformou a Fazenda em um campo de guerra e desencadeou ondas de poder que devastou a Terra.


Cinco anos após o Dia da Aurora e da grande devastação, Marina ainda não se acostumou com seu posto de Grande Deusa. Agora com 18 anos, nunca mais havia saído da Fazenda e apesar de rodeada de mimos e cuidados era muito solitária. Tirando poucas pessoas de sua família, todos os outros a tratavam de modo respeitoso, mas superficial. Só lhe dirigiam a palavra se ela falasse primeiro, era seguida por seus Sombras (guardas treinados para mantê-la segura) a todos os lugares,  parecia que o medo do poder da deusa sempre falava mais alto e isso a aborrecia.  Cansada de ser incompreendida, a jovem se afasta da Tribo e acaba caindo em um lago, mas é salva graças a Brian e Artur, os Sombras,  mas naquele momento o véu fora rompido e ao voltar à superfície eles não estavam mais no Mundo que conheciam e nem imaginavam as surpresas que os aguardavam.

Sou super apaixonada pela cultura celta e desde que conversei com a Simone na Bienal do Livro fiquei bastante curiosa com a sinopse do livro. Confesso que iniciei a leitura com um pé atrás: distopia, mitologia celta no Brasil e pelo fato de que Marina é o avatar de três deusas, mas deixei o receio de lado e dei chance à história. 

A edição e diagramação da Butterfly está lindíssima! Com mapa e tudo! *-*

Apesar de ser um pouco imatura e teimosa, as queixas de Marina são altamente aceitáveis. Ela vive com muitas restrições e todos a tratam de modo muito superficial e formal esquecendo que apesar de ser uma deusa, ainda é uma jovem que gostaria de ter amigos que não a adorassem/temessem. No decorrer da história há uma pequena evolução de sua personalidade, mas nada muito exagerado.

Brian e Artur são guerreiros formidáveis com personalidades bem distintas e que também enxergam Marina de formas diferentes. Enquanto Brian a vê como uma jovem com grande responsabilidade, Artur a vê como uma deusa intocável e punitiva. O contraste é legal para aproximar os personagens e a relação entre os três vão evoluindo no decorrer do livro, mas acredito que será melhor explorada na continuação. 


No geral, o livro possui uma boa narrativa, mas acredito que o excesso de repetições sobre a condição de Marina e do romance que surge diminuem um pouco o ritmo da leitura. Enquanto outros temas que poderiam ser melhor explorados são abordados superficialmente. Como é caso do plot de Pedro, que achei super interessante, mas são passagens super rápidas que só te deixam mais curioso e que ~ ainda~ não temos mais detalhes. Algumas respostas poderiam ser deixadas no decorrer do livro, sobre a ligação do Brasil com os celtas e porquê a Fazenda está em nosso território, senti falta disso.

Cards dos personagens principais cedidos pela Butterfly! ♥

Apesar de gostar da leitura, achei que ficou com muitas pontas soltas e alguns personagens não foram bem explorados por isso. Queria saber mais sobre as três deusas celtas e suas lutas pelo corpo de Marina. Esperava encontrar algumas dessas informações já nesse primeiro livro e tantas aberturas me deixaram um pouco frustrada, mas acredito que no(s) próximo(s) livro(s) toda a história fluirá muito melhor, já que o pano de fundo já está todo montado. #Ansiosa!

O ponto alto para mim foi a releitura das lendas e deuses celtas feita pela Simone, a metade final do livro é muito mais dinâmica justamente por eles! Para quem curte a cultura celta vai se deliciar como ela abordou e inseriu na história. Eu achei muito criativo e tornou a aventura de Marina mais fantástica! Amei! ♥

Nota: 3,5/5★

"Uma menina vai nascer e com ela uma nova era irá despontar.
Ela é a força, a natureza, a água, o fogo, a terra, o ar e a essência...
É pela sua mão que a roda irá girar." ~ p. 13
  
  

2 comentários:

  1. Oi, Denise!
    Apesar desses "defeitos", ainda quero ler o livro porque achei bem interessante a autora utilizar mitologia celta.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos de A Colecionadora de Histórias

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Lu!
      Vale a pena ler sim! Acho que a história tem tudo para crescer ainda mais na continuação, eu tô super curiosa! ^^

      Bjs :*

      Excluir

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