quarta-feira, 26 de julho de 2017

Sendo a Princesa Leia uma das minhas personagens prediletas da ficção, o final do ano foi para mim e para milhares de fãs uma época muito difícil, pois repentina e prematuramente nos vimos obrigados a dar adeus a nossa querida e eterna Princesa/General alderaaniana, a absolutamente única Carrie Fisher, que nos deixou memórias inesquecíveis, um grande legado e ali, quase no finalzinho, esse livro excepcional cujo qual eu estava adiando a leitura, quase que em negativa.

Fotos da miga Aline da @casinhadebrinquedo
Carrie Fisher costumava dizer que, desde o dia em que conseguiu o papel, foi e seria para sempre a Princesa Leia Organa e que Leia era ela. Por quarenta anos, viveu uma relação conturbada com essa identidade que assumiu tão jovem, aos 19 anos, sem ainda ter entendimento da extensão do impacto que isso teria não apenas em sua vida mas em milhares outras e em gerações que se seguiriam.


"Alguém precisa salvar as nossas peles" e assim eu me apaixonei pela personagem *-*

Com seu característico senso de humor, Carrie preenche páginas de forma eloquente e poderosa, com uma escrita que se reveza entre espirituosa e emocional com grande destreza, discutindo tópicos como sua relação com os pais, os astros Debbie Reynolds e Eddie Fisher de “Cantando na Chuva”, sobre sua infância incomum sob os holofotes na barra da saia da mãe e o impacto disso na sua personalidade. Além de como todos esses e outros fatores incutiram nela duas certezas: a de que ela jamais faria parte do show business e a de que ela sempre teria problemas com homens, para não muito tempo depois descobrir que estaria certa apenas sobre uma dessas projeções. A discussão sobre a relação ou quase falta de relação com o pai e sua constante busca de atenção é mencionada mais de uma vez e em todas causa muita tristeza, especialmente no momento em que ela menciona decisões muito maduras que ainda adolescente nunca considerou tomar apenas com a finalidade de não causar em outro jovem a dúvida de seu próprio valor pela rejeição do pai.

I don’t want to make anyone else look stupid. That’s a privilege I reserve for myself.
Tradução livre
Eu não quero fazer ninguém parecer estúpido. Esse é um privilégio que eu reservo apenas a mim mesma.

Além é claro da curiosidade em saber os detalhes por trás do maior fenômeno da cultura pop e em primeira mão as peculiaridades sobre uma das mais amadas personagens da ficção vindo diretamente de quem a conhecia melhor, o livro causou alvoroço desde o lançamento por finalmente revelar depois de quase quatro décadas o breve caso amoroso entre Carrie e Harrison Ford que, além de quase 14 anos mais velho, era casado e tinha dois filhos na época. Essa é provavelmente a parte mais longa do livro, em muitos sentidos a mais intensa e em vários momentos a mais devastadora, sendo esse o período de maior confusão da jovem Carrie e que acabou sendo organizado, entre memórias e reflexões da autora, de maneira espetacular para o entendimento do leitor.

I forgive him for not loving me in the way one usually expects - and almost forgave myself for not expexting  it.
Tradução livre
Eu o perdoo por não me amar da maneira que alguém normalmente espera - e quase me perdoei por não esperar isso.
"I wish you would love more so I could love you less" (Eu queria que você me amasse mais para que eu o pudesse amar menos)

O livro pode ser dividido em duas partes principais, uma na qual Carrie já na meia idade olha para trás e reflete sobre os acontecimentos da sua vida como Leia e outra que consiste em trechos do seu diário na época das gravações do primeiro filme. Ambas as partes conseguem ser extremamente tocantes e denotam aquilo que seus fãs já sabiam, sua genialidade através da sua habilidade com as palavras e forma sagaz como se expressava. Os trechos de seu diário surpreendem com a profundidade dos sentimentos e forma de organizá-los na mente confusa e inquieta de uma pessoa tão jovem, com momentos que enternecem ao mesmo tempo que ferem. Em seu diário não há falta de pensamentos impactantes e até mesmo poesias que você não espera encontrar na mente de uma adolescente comum, mas que evidenciam que se tratava de uma jovem singular lutando para fingir estar no completo controle de uma situação que ela no fundo sabia que não tinha controle algum. Tudo isso se considerados os problema mentais dos quais a Carrie por toda sua vida falou tão abertamente, como depressão, bipolaridade e o uso de entorpecentes que a acompanhavam desde sempre, trazem um novo peso para uma leitura já comovente.

Em resumo, esse livro me marcou profundamente, me fazendo ir ao extremo de um sorriso no rosto a lágrimas nos olhos em questão de parágrafos. É uma leitura  imprescindível para qualquer fã de Star Wars e mais ainda da Carrie e Leia em específico, além de uma grande sugestão para quem aprecia uma escrita excepcional e uma linda discussão sobre sentimentos e nossa eterna jornada na busca por autoconhecimento. Carrie foi e sempre será um ícone, que acalentava um carinho especial como só ela poderia por seus fãs, que infelizmente nos deixou cedo demais, mas com saudades eternas e corações repletos. Que a Força esteja sempre com ela.

I must be who I am and people adjust to it. Don't try to rush or influence the decision. Do not let what you think they think of you make you stop and question everything you are.
Tradução livre
Eu devo ser quem eu sou e as pessoas que se ajustem a isso. Não tentar apressar ou influenciar a decisão. Não deixe que aquilo que você pensa que eles pensam sobre você faça você parar e questionar tudo aquilo que você é.

Nota 5/5 ★






P.S. Dica para fãs, vejam o documentário "Bright Lights" da HBO sobre a Carrie e a Debbie.
P.P.S.  Eu li o ebook em inglês e não resisti por traduzir um trecho sobre os tão polêmicos trajes de escrava que achei muito relevante e que marca bem quem foi Carrie Fisher. Perdoem qualquer deslize, fiz de última hora ;D

"The women forgive me for being in the metal bikini because they know I’m not in it voluntarily, and they let the men like it - even have their fairly innocuous little erections - because they know that I represent something else and not just that sex thing. Capable, reliable, equal to if not better than a man. [...] and many females of all ages seem to have been glad I'd arrived on the scene, a heroine for our time.
I was something women and men could agree on. They didn't like me in the same way, but they liked me with the same intensity, and were all fine with the other sex liking me, too. Isn't that weird? Think about it. And then stop and ponder something actually important."

Tradução livre

"As mulheres me perdoam por usar o bikini de metal por saberem que eu não o usava voluntariamente, e elas deixam os homens gostarem dele - até mesmo terem suas pequenas ereções inofensivas - porque sabem que eu represento outra coisa e não apenas aquela coisa sexual. Capaz, confiável, igual se não melhor do que um homem. [...] e muitas mulheres de todas as idades parecem ter sido gratas por eu ter chegado na cena, uma heroína do nosso tempo.
Eu era algo em que mulheres e homens podiam concordar. Eles não gostavam de mim da mesma maneira, mas gostavam de mim com a mesma intensidade, e estavam todos bem com o outro sexo gostando de mim também. Não é estranho? Pense nisso. E então pare e reflita sobre algo realmente importante."

2 comentários:

  1. Oi Jack! Estou desde o ano passado morrendo de vontade de ler esse livro! Adoro a Carrie Fisher e acho a história de vida dela no mínimo impactante! Com certeza inda vou conferir!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Mi. Estava louca pra ler também e o livro é bom demais, mas dá até aquela dorzinha no coração. Carrie, saudades eternas <3
      BJs,
      Jack.

      Excluir

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