segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O poder da empatia me fascina! É um sentimento que une a entrega, o compartilhamento e a recepção, proporcionando uma troca para todos aqueles que partilharam da mesma sensação. E foi um sentimento bem presente em mim nesses últimos dias. Tive a oportunidade de participar do Lançamento do Guia dos Itinerários da Experiência Negra na cidade de São Paulo, do Coletivo Crônicas Urbanas, e além do lindo projeto, pude partilhar minha experiência e recebi em troca experiências ainda mais marcantes, lindas e incrivelmente próximas às minhas. Após esse bate papo enriquecedor, fizemos um trecho do itinerário desenvolvido pelo Coletivo e é sobre ele a Crônica de hoje.

Quem acompanha meus desbravamentos sobre a identidade e importância da representatividade negra sabe que é uma jornada de autoconhecimento, fascinação, alegrias e tristezas. Alegrias, pois consigo me enxergar a cada nova descoberta e me encantar com elas e tristeza, pois são resquícios de memórias, apagamentos, enforcamentos e soterramentos dessa mesma história.

Estátua da Mãe Preta e ao fundo Igreja N. S. do Rosário dos Homens Pretos

Crescer numa cidade cosmopolita como São Paulo é vivenciar e aprender a cada esquina, a cada bairro, cheiro e sabor. Viver a cidade é um conjunto de experiências, vivências e respirar o resgate à memória, entrar nas EntreLinhas das histórias paulistanas é entender as veias que bombeiam o coração que pulsa por aqui e que dá vida a cidade.

E eu como curiosa - e turismóloga - que sou, busco essa presença negra a cada bairro, comida e lugares que visito e mais cedo ou mais tarde esbarramos em uma informação nova ou um tanto esquecida. Parece que a SP nasceu e se desenvolveu através dos imigrantes italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e muiiitoos outros e pergunto: cadê a parcela negra de Sampa? Cadê um bairro afro-brasileiro nessa grande cidade?

Infelizmente, os bairros “tradicionais” são facilmente identificados pela grande maioria, parece que sempre foram o que são e é difícil desvinculá-los dessas “origens”. Se eu disser que a Liberdade era um lugar de resistência, luta e que antes era o Largo da Forca? (A rua dos Aflitos ou a Igreja Sta Cruz dos Enforcados acabam fazendo mais sentido, né?) e se o “tradicional” bairro do Bexiga tivesse tantos negros quanto italianos e que ainda hoje na Igreja N. S. da Achiropita há uma missa em homenagem a esse resgate à memória? É a Missa da Mãe Negra!

Ouvir de uma mulher negra, uma missionária da Igreja N. S. do Rosário dos Homens Pretos, que a origem da Capela era em frente ao atual prédio do Banespa e que foi demolida pois “uma Igreja em homenagem aos negros no meio do centro econômico de São Paulo era inadmissível e incomodava” e que a reconstruíram num brejo e num “lugar de meretrizes, mendigos e ‘baixos comerciantes’”, choca, entristece e mostra as veias abertas que São Paulo teima em esconder.

E são essas mesmas veias que fazem um esforço tremendo para a cidade pulsar. São as descobertas dessas representatividades e que me fazem pertencer cada dia mais a essas ruas e entender que a São Paulo Negra existe, sobrevive e resiste. Entender esse apagamento da história negra e os motivos pelos quais elas ocorreram é uma forma de entender o que acontece na nossa amada cultura pop e de como essa luta é legítima e como esse pertencimento também é importante sejam relacionados a personagens fictícios ou reais. 

2 comentários:

  1. Olá Denise,

    Adorei o post e gostei demais de aprender um pouco mais com ele, histórias que nunca devem ser esquecidas e temos que divulgar sempre, são tristes mas não podem ser esquecidas nunca...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Marco!

      Exatamente, esse foi o objetivo da Crônica! Fico muito feliz que vc tenha gostado! Se vc for morador de São Paulo, participe do Itinerário e vá aos pontos, foi mto enriquecedor! =D

      Obrigada pela visita!

      bjs

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