quarta-feira, 13 de setembro de 2017

“Minha Metade Silenciosa” foi uma leitura bem despretensiosa, não digo que foi sem expectativas, pois  quando comprei um vendedor me disse que havia sido uma de duas melhores leituras de 2014. Li de curiosa e descobri uma história densa, tensa, um pouco pesada, mas que conseguiu me encantar e surpreender.


Stark McClellan é um adolescente de 13 anos e está longe de passar despercebido com seu corpo magro e alongados 1,82m. Palito, como prefere ser chamado, evita ao máximo os olhares curiosos, mas sabe que isso é quase impossível. Se não fosse pela sua altura, a inexistência de uma das orelhas o faria, o rapaz nascera com uma má formação: a anotia. 

Devido sua condição, Palito sofre de baixa autoestima e é alvo constante de bullying. O seu único amigo e confidente é seu irmão mais velho, Bosten, que o defende sempre que possível. A relação de cumplicidade, admiração e companheirismo entre os dois faz com que enfrentem todos os problemas juntos, mesmo aqueles que ocorrem dentro da própria casa.


Os garotos vivem em constante ameaça e temor, em uma casa sem amor e um ambiente hostil. Caso não seguissem à risca todas as regras da casa eram maltratados e violentamente castigados e iriam parar no aterrorizante quarto de São Fillan. Após uma descoberta a situação entre Bosten e o pai fica insustentável e o irmão mais velho foge de casa, deixando Palito sozinho no meio do caos. O jovem Stark decide encontrar o irmão e juntos tentar reiniciar uma vida nova longe de todos os problemas que os cercavam até então.


Nessa jornada, Palito descobrirá a linha tênue que separa pessoas boas e más, como a vida pode ser dura, cruel e difícil e mesmo assim buscará a luz da esperança nas pessoas que passam pelo seu caminho e te fará pegar essa longa estrada com ele.

Essa leitura foi uma grata surpresa, a beleza desse livro está nos detalhes e no caminho que percorremos junto a Palito. A cada página vamos nos envolvendo com a história desses dois irmãos e nos preocupamos com eles. O amor incondicional entre os dois, a firmeza que um dá ao outro encanta e nos preenche de um sentimento bom, mesmo nas descobertas mais tenebrosas e nas passagens mais tensas os dois estão ali um pelo outro. E isso é lindo!

Reparem nas lacunas em algumas frases do diálogo entre Palito e Emily.

O ritmo do livro não é dos melhores, às vezes a leitura se torna um pouco arrastada, porém a minha curiosidade para saber o destino desses dois e do amadurecimento de Palito me instigou a continuar e foi uma ótima experiência. Eu não costumo ler livros sick-lit ou próximos ao gênero, eles nunca me atraíram (passo muito longe do famoso Extraordinário, por exemplo), mas a deficiência de Palito é somente uma das temáticas abordadas e a diagramação fez um excelente trabalho ao colocar como o jovem escuta com algumas lacunas nas frases, representando esse vazio/prolongamento que às vezes aparece nos diálogos dele, a presença das lacunas é a forma de lembrar o leitor da anotia e o que ela representa ao personagem, mas nem de longe o enredo gira em torno ~somente~ disso. O que me encantou foi a dedicação entre os irmãos e tudo que passaram juntos. 

A partir da metade final do livro, a descoberta do amor fraterno de Tia Dahlia, a esperteza e desenvoltura da espevitada Emily trazem elementos que me deixou mais próxima à história. Os personagens centrais vão crescendo e acompanhar esse desenvolvimento - principalmente com a separação dos dois, é muito interessante! O livro traz muitas reflexões e debates: problemas familiares, abusos, sexualidade, depressão, autoestima. O finalzinho do livro pode ser agridoce para alguns, talvez muito apressado, com um corte abrupto e que nos deixa com algumas perguntas não respondidas. Apesar disso é um final plausível dentro da proposta e que só instiga a imaginação. Tá super recomendado!

Nota: 4/5★

"Podíamos ver a tristeza nos olhos uns dos outros. De alguma forma, eu acho, aquilo era uma coisa boa, porque significava que realmente éramos amigos e que talvez Bosten e eu tivéssemos encontrado um lugar que nos aceitasse. E era um lugar que só tinha uma regra, até onde eu sabia, e era uma regra fácil de seguir: amem-se uns aos outros."



4 comentários:

  1. Oi, Denise!
    Tenho trauma do autor com Selva de Gafanhotos, mas todo mundo fala maravilhosamente bem desse livro que já adicionei na lista de leitura.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio de aniversário do Balaio de Babados e O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oiee Lu!
      Nossa, vi no skoob esse Selva de Gafanhotos e fiquei muito curiosa!
      Leia sim, é um livro bem denso, mas lindo! Vale a pena!

      Beijos! :*

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  2. Oi Dê, eu não sabia desse livro. Acho que ele foge bem do que ando lendo e isso é bom rs Achei a relação dos irmãos descritas por vc bem interessante. Curti a dica e adorei as fotos.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie, Mi!

      Só descobri pela indicação do vendedor lá na Feira de Livros da USP.
      A relação é encantadora, foge bem do que costumamos ver em livros, apesar eles serem bem próximos! ♥

      Brigada! Bjs ♥♥

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