sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Conferi o filme na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com a Livs ♥, foi minha primeira Mostra e não sabia o que esperar, já que a sinopse não era nada reveladora. Fui pega pelo título e pela curiosidade. E pode ser muita presunção minha, mas acho que muitos de nós se identificariam com o Laéssio. 


“Cartas para um Ladrão de Livros” é um documentário que narra a história de Laéssio Rodrigues de Oliveira, o maior ladrão de livros raros do país. Logo no início somos apresentados ao Laéssio, algemado e em uma cela em um presídio do Rio de Janeiro, e a partir de então vamos percorrendo as peripécias - sim, peripécias é uma ótima palavra para definir -, quase surreais desse senhor.

Descobrimos logo no início que a grande motivação para os roubos foi o colecionismo e o fanatismo pela Carmem Miranda. Por ser muito fã da cantora, Laéssio e alguns amigos tinham uma espécie de fã-clube na qual sempre rolava aquelas competições saudáveis de “quem tem o item mais raro”, “quem tem mais revistas com reportagens sobre a Carmem Miranda”, etc… E daí em um belo dia, ele levou a sério demais essa história de descobrir “o que é que a bahiana tem?”, se apossando de uma revista raríssima porque sua diva estava na capa.


Com uma narrativa super fluída, vamos conhecendo um pouco de seu mundo, o que o motivou a roubar bibliotecas como a do Palácio do Itamaraty, o Arquivo Geral de São Paulo e outros inúmeros museus e bibliotecas públicas de Norte a Sul do Brasil. Em contrapartida também conhecemos o lado dessas instituições e até da polícia federal que investigava os roubos. Laéssio é um cara excêntrico, inteligente, carismático e de uma desenvoltura sem igual, o típico caso de como uma mente brilhante pode ser usada para coisas erradas.


O documentário traz muitas críticas e nos faz refletir muito tanto pela postura desse ladrão de livros, como a negligência dessas instituições públicas para com seu acervo! Em nenhum momento os diretores tentaram romantizar justificando as ações de Laéssio ou até mesmo condená-lo, eles optaram por, simplesmente, mostrar essa curiosa história que, de fato, renderia um bom livro. Desde quando começou suas desventuras, ele fora preso cinco vezes e isso é retratado de forma bem clara e honesta com público e apesar de todo seu carisma, percebe-se o “todo potencial desperdiçado” e o final retrata muito bem isso. Depois desse filme, aquele ditado “a ocasião faz o ladrão” nunca fez tanto sentido.


Quando terminei a sessão notei que ali brotou uma relação de amor e ódio por Laéssio. O seu carisma contagia, sua eloquência assusta, suas respostas soam muito plausíveis  - embora nem de longe, justificáveis… Ele nos faz debater como o nosso sistema é frágil, como a segurança desses acervos - raríssimos ou não - ainda são negligenciados e de como seus atos representam só a ponta do iceberg de um sistema muito corrupto e desorganizado. No início do texto disse que muitos de nós se identificariam com o Laéssio e sim, é verdade. Apaixonados por livros e colecionadores em geral vão entender muito bem a fala que ele reforça diversas vezes durante o longa. Imagino quão trabalhoso foi editar cinco anos de gravações, cartas e histórias desse cara, um tanto… imprevisível, a edição ficou incrível e merece destaque! Está super recomendado e estou procurando mais gente para falar sobre ele! Me chamem! \o/

Para quem quiser saber mais: https://goo.gl/m1Ch77


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