quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ei, drugui! Hoje vou govoretar sobre um livro horroshow. Apesar de bizumni a história é chudesni!
Trad.: "Ei, amigo! Hoje vou falar sobre um livro incrível. Apesar de louca, a história é maravilhosa!"

Há um tempo coloquei alguns clássicos na minha meta de leitura, o objetivo era tentar entender um pouquinho de como algumas obras se destacaram e se tornaram referências e influências literárias. Em junho tive o prazer de me aventurar nas páginas de Laranja Mecânica, que há muito já me intrigava pelo título. 


Conhecemos Alex e seus “amigos” em um futuro distópico, no qual a ultraviolência domina a sociedade. Aos 15 anos, a lista de crimes do rapaz é extensa e não para de crescer. Alex é o líder de uma gangue composta por Tosko, Pete e George e eles saem todas as noites para se drogar com o moloko-com (leite com drogas e/ou alucinógenos) e depois tocam o terror na cidade! Fazendo TODO o tipo de barbaridade.

Alex é o típico líder que se acha o bonzão, mas que logo tem sua liderança questionada pelos próprios parceiros e após uma ação que termina em morte, em uma das cenas mais angustiantes que já tive o desprazer de ler, Alex é abandonado pelos seus druguis e devido as suas reincidências é mandado para a cadeia. Essa cadeia é mais um centro de experimentos que buscam *cobaias* para um novo tratamento proposto por um governo totalitário contra a ultraviolência e reintegrar os “irrecuperáveis” à sociedade. Porém, a chamada técnica Ludovico usa de métodos não-ortodoxos para que seus resultados sejam positivos, utilizam da ultraviolência para reprimir a ultraviolência. Será que esse tratamento pode mesmo reintegrá-los, sem danos, à um mundo fadado a violência?


Por ser narrado em primeira pessoa por Alex, conseguimos entender um pouco de sua mente ardilosa, isso não me fez gostar dele, mas mostra muito claramente que Alex sente prazer da violência pela violência e contraditoriamente tem uma paixão pela sensibilidade trazida pela música de Beethoven e até encontra “conforto” em passagens bíblicas. Logo nota-se que ele, simplesmente, GOSTA daquilo que faz. Temos também uma pequena perspectiva dos pais dele e são pessoas ‘comuns’ que - apesar de tudo - amam o filho e que não entendem como deixaram ou o que desencadeou essa reviravolta na vida do filho. É triste, mas bastante real.

O vocabulário nadsat, criado pelo autor, traz estranheza e desconforto desde a primeira página, já que é utilizado constantemente pelo personagem central. Mesmo ao final da leitura não havia me acostumado totalmente com ele - e claro, isso interfere muito na fluidez do texto, mas surpreendentemente você quer saber onde tudo aquilo vai parar… E se esforça para concluir a leitura.


O livro traz temas muito relevantes e também super delicados, ao falar da “violência pela violência” ele percorre a temática das drogas, estupro, torturas, espancamentos, truculência policial, negligência do Estado, a impotência da sociedade ante à segurança, tratamentos e reintegrações para presos, menores infratores, relação entre bem e mal,  entre outros. Nos mostrando uma sociedade futurista cheia de medo, insegurança e terror, o que torna algo escrito em 1962, MUITO atual.

Horrorshow é palavra que define muito bem a obra de Burgess, tanto no vocabulário nadsat, que significa “excelente, legal”, como no bom e velho português, a aglutinação das palavras horror + show. É um livro angustiante, violento e você fica esperando Alex colher tudo aquilo que plantou... O que não deixa de ser irônico, já que repudiamos a própria violência que ele representa. Sentimentos conflitantes são o que permeiam Laranja Mecânica. Talvez seja isso que o torna uma obra tão atemporal! Que loucura. A editora Aleph está de Parabéns, desde o prefácio já mergulhamos nos desafios da tradução se manter fiel às ideias de Burgess e como foi difícil fazê-lo, a edição está incrível e conta com um glossário ao final do texto para nos ajudar nessa linguagem. O livro está super recomendado, mas prepare-se é preciso ter um estômago forte.

Nota: 4,5/5★

Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si?


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