O Lobo do Mar - Jack London

O intelectual Humphrey Van Weyden naufraga pouco depois de sua saída de São Francisco. É resgatado pela escuna de caça a foca Ghost, e tão logo se recupera pede para falar com o responsável pelo navio. Ao ter a solicitação atendida, dá de cara com o capitão Wolf Larsen aos berros com um defunto. O homem estava colérico com a morte do seu imediato logo após a saída do porto. 

Quando resolve lhe dedicar alguma atenção, Wolf Larsen olha Humphrey de cima a baixo, desdenha de sua posição como cavalheiro e, ao invés de retornar ao porto que ainda estava próximo, decide levá-lo consigo na longa viagem, prometendo transforma-lo em um homem que trabalha por si só. 


Humphrey então vira ajudante de cozinha e fica horrorizado tão logo passa a conhecer a vida tirana dentro do Ghost. Wolf Larsen gere a escuna com mãos de ferro e assustadora agressividade tal qual um homem primitivo. Mas não demora para Humphrey se aproximar do capitão, e após um pouco de conversa descobrir que ele é na realidade um autoditada extremamente inteligente e apreciador de variadas leituras filosóficas. Eis que passam a conversar cada vez mais e os ideais civilizados de Humphrey entram em conflito com os princípios brutais de Wolf Larsen.


Jack London por si só se mostrou uma surpresa para mim. É um autor que eu sempre quis ler, mas nunca pensei que gostaria tanto da sua forma de escrita. London insere experiências pessoais em suas histórias, trazendo uma imensa realidade a seus personagens ficcionais e nos fazendo pensar se eles são tão ficcionais assim. De suas obras que já li, O Lobo do Mar que me fisgou como poucos livros conseguiram fazer.

A construção de personagens é incrível. Humphrey é um cara bacana e que você torce do início ao fim. Conforme as páginas avançam vamos percebendo sua evolução e a concretização da vontade do seu raptor. Mas o grande destaque aqui vai para Wolf Larsen. Apesar de toda sua crueldade, as descrições do capitão são cada vez mais surpreendentes e aliadas a sua presença em cena e altas doses de carisma tornam-o um personagem que você quer detestar, mas não consegue. O cuidado do autor se estende até aos personagens secundários, fazendo com que o leitor se preocupe com vários deles ainda que apareçam pouco.


Fui ficando cada vez mais curiosa para saber como Humphrey sairia dessa enrascada e se sobreviveria a Wolf Larsen. O livro perde um pouquinho o ritmo com a inserção de um personagem na metade da história e os termos náuticos algumas vezes me confundiram, mas ainda assim ele flui extremamente bem. Temi que talvez as discussões entre Humphrey e Wolf Larsen se tornassem enfadonhas, mas muito pelo contrário. Elas são muito interessantes e nos fazem refletir a todo momento.

A edição da Zahar é uma graça. Sou completamente apaixonada por suas edições de bolso de luxo que além de lindas são resistentes e fáceis de transportar e ler. Adoraria que eles lançassem Caninos Brancos e O Chamado da Selva, também do Jack London, nessas edições tão lindas.


Comecei O Lobo do Mar procurando apenas uma grande aventura marítima. Encontrei isso e muito mais. O ano só começou, mas a saga de Humphrey com certeza é uma das melhores leituras de 2018. Um livro que se tornou um dos meus favoritos.

- Não - respondeu Wolf Larsen, com um indescritível ar de tristeza. - É ele é mais feliz assim, deixando a vida em paz. Está ocupado demais vivendo a vida para pensar nela. O meu erro foi ter um dia aberto um livro.

Nota: 5/5 ★ ♥
O livro no Skoob: O Lobo do Mar

4 comentários:

  1. Oi Thalita, tudo bem? A princípio estava pensando que seria um livro que não leria, mas ao ler sua resenha deu vontade de dar uma chance a essa jornada!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Olá. Adorei a dica. Ainda preciso ler este livro. A propósito, parabéns pelo blog. Abraços. Eudes.

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