2.990 Graus - Adilson Xavier


Um político corrupto assassinado é encontrado no Rio de Janeiro. O homem foi assado por dentro ao ter um maçarico inserido no ânus. Cabe ao delegado Hermano, policial apreciador de poesia e que se orgulha de nunca ter utilizado sua arma de fogo, investigar o caso.

O pastor Ismael, ex-presidiário e pregador da igreja com o sugestivo nome de Chama Divina é o maior suspeito. Mas não tarda para que novas vítimas apareçam e a população passe a apoiar os Vingadores do Povo, alcunha dada aos assassinos. Em meio a pressão do trabalho, Hermano precisa lidar também com o ciúmes que sente pela amada, Alice, que tem aulas de artes com um ex-namorado Gunnar.


O trunfo do livro é sua atualidade e proximidade com a vida real. A história faz referência ao desmoronamento da região serrana no Rio que resultou em centenas de mortos e desabrigados, logo não é difícil entender a fúria da população e seu apoio aos assassinos. A narrativa poderia ser em alguns momentos mais direta, mas o autor escreve muito bem e ela é fluida na maior parte do tempo.


Os problemas começam com alguns personagens. A personalidade e carisma do Hermano só aparecem no fim do livro, quando a narrativa em terceira pessoa dá lugar a primeira e acompanhamos a história pelo ponto de vista do delegado. Antes disso eu estava achando ele um chato, ainda mais por conta do tratamento dado a Alice. Ele se corroia de ciúmes da moça, mas em nenhum momento mostrava arrependimento em trai-la com a bela policial Jackie.

Alice também merecia um desenvolvimento melhor. Já da Jackie eu gostei! Ainda que seu método de trabalho seja pouco ortodoxo, ela é uma mulher desbocada, segura de si e que aparentemente está contente com suas atitudes.


Para mim também faltou um enfoque maior nos assassinatos. Em pouquíssimas páginas o número de vítimas passa de um para quatro, sem grandes desenvolvimentos. Faltou conhecer individualmente um pouco mais as vítimas para se compadecer delas (ou talvez desejar a rápida ação dos Vingadores do Povo). Enquanto que a situação de Alice com Gunnar parecia se estender infinitamente. Não que a situação de ambos seja desinteressante, mas algumas vezes deu a impressão de que eu estava lendo duas histórias totalmente distintas.

Na maior parte do tempo os diálogos são expressados pelo travessão, em outros momentos por meio de de aspas. A falta de padronização por si só já me incomoda, mas as aspas em si tornaram os trechos pesados e algumas vezes confusos sendo que foram usadas sem espaçamento, como um imenso parágrafo.


Visualmente a editora fez um trabalho primoroso. A edição é linda, começando pela capa que chama muito a atenção e terminando nos detalhes internos. 2.990 Graus tem alguns problemas, mas a história atual e a trama que gera curiosidade fazem o livro valer a leitura.

Nota: 3/5 ★
O Livro no Skoob: 2.990 Graus

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