As Fúrias Invisíveis do Coração - John Boyne

Catherine Goggin é expulsa da pequena cidade onde vive por estar grávida sendo solteira. Ruma então para Dublin onde dá a luz a um menino. Sem condições de cuidar dele, entrega o bebê para uma freira corcunda, que o redireciona para a família Avery.

Ainda que não seja um Avery de verdade, Cyril cresce no conforto e na mordomia mesmo que lhe falte afeto. Sua mãe adotiva, Maude, passa os dias fumando feito uma locomotiva e escrevendo enquanto seu pai adotivo Charles corre o risco de ser preso por não declarar o imposto de renda. Eis que surge Julian, filho do advogado de Charles, e Cyril se encanta com o menino nos breves momentos que passa com ele.


Anos mais tarde o caminho dos dois volta a se cruzar quando os jovens passam a estudar na mesma escola e dividir o dormitório, tornando-se melhores amigos. Cyril então já tem certeza que não é igual aos outros meninos. Não se interessa por garotas e é completamente apaixonado por Julian.

Narrado em primeira pessoa, acompanhamos a vida de Cyril em intervalos de sete anos. Conforme a criança vai crescendo, cresce também a sua angústia e tentativa de se encaixar em um país que é totalmente intolerante com homossexuais, fazendo com que Cyril passe por momentos solitários e tristes. Aliás, tristeza não falta nesse livro. John Boyne apunhala nosso coração logo no primeiro capítulo.


Mas, incrivelmente, o livro tem vários momentos bem humorados, sarcásticos e irônicos que me arrancaram gargalhadas. Algumas passagens poderiam ser um pouco mais curtas, mas o ritmo de leitura é excelente e fui ficando cada vez mais curiosa para saber sobre a vida de Cyril. E angustiada também! Esporadicamente o personagem se encontra com a mãe biológica, ambos sem saber da verdade, e minha vontade era gritar de frustração frente a esse e outros acontecimentos.

Cyril não é um homem perfeito, ele também magoa muita gente, mas é impossível não criar empatia com o personagem e desejar que ele encontre a felicidade. As Fúrias Invisíveis do Coração é um livro que deveria ser lido por todo mundo. A narrativa de Cyril começa logo após a Segunda Guerra Mundial, mas quanta intolerância e preconceito existe ainda em 2018? Com certeza um das melhores obras do John Boyne e um dos melhores romances que já li. 

Ocorreu-me uma frase, algo que Hannah Arendt havia dito certa vez a respeito do poeta Auden: que a vida manifestara no seu rosto as fúrias invisíveis do coração.

Nota: 4,5/5 ★ ♥

4 comentários:

  1. Oi Thalia!
    Eu realmente desisti dos livros desse autor. Tentei ler dois dele, mas a escrita sempre me decepcionava e ficava atolado, por isso deixei de lado. As premissas dele são super interessantes, mas a maneira de narrar não me prende :(

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Thalita!
    Menina, já gostei do Cyril só pelo fato dele não ser perfeito. Esse egoísmo e mágoa deixa o personagem bem mais próximo da nossa realidade.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Oi Thalita!
    Eu gosto do Boyne, mas esse livro nao li. Gosto bastante dessas histórias que nos permitem conhecer os personagens durante a vida toda.
    Beijos,
    Alem da Contracapa

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  4. Oi Thalita!! Eu comecei lendo a resenha pensando que talvez esse livro fosse muito pesado e muitas vezes eu fujo de dramas, confesso rsrss Mas gostei de saber que tem momentos de alívios cômico e realmente me parece muito fácil ter empatia pelo protagonista! Parece um ótimo livro!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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