A Zona Morta - Stephen King

John Smith sofre um pequeno acidente quando criança e desde então tem leves premonições. Já adulto, é um professor que leva uma vida normal apesar do pequeno dom. Um dia vai a uma feira com a namorada e usa sua habilidade para sair vitorioso em um jogo de roleta, mas pouco depois sofre um acidente e fica em coma por quase 5 anos. 


Quando acorda, toca em uma enfermeira e tem uma visão. Diz a ela que tudo correrá bem na cirurgia do seu filho e a enfermeira fica impressionada quando realmente dá tudo certo. Não demora para ele perceber que ao tocar em qualquer pessoa consegue acessar lapsos de seu passado, presente ou futuro. Algumas vezes não tem percepção nenhuma, e em outras as sensações chegam com informações incompletas, coisas que ficam retidas no que ele chama de zona morta. 

Lógico que sua condição paranormal lhe traz problemas, sobretudo quando ele, ao tentar fazer o bem, não consegue se segurar e conta suas previsões. Logo a mídia fica no seu pé e ele passa até mesmo a receber cartas de “fãs” que enviam objetos e solicitam respostas para os mais diversos questionamentos. Nesse meio tempo, conhecemos também Greg Stillson, ex vendedor de bíblias que possui grandes aspirações políticas e nenhum escrúpulo para chegar onde quer. 


Todos os personagens são bem construídos e Johnny Smith merece grande destaque. Sua personalidade bem humorada e seu carisma fazem com que seja fácil sentir empatia por sua situação. Ele acorda e encontra um mundo mudado, sua mãe agora é uma completa fanática religiosa, seu pai está atolado em dívidas médicas e sua namorada casou-se com outro homem. E claro, ainda recebe de brinde uma habilidade bastante estranha. Senti um aperto no coração por ele em várias situações.

A Zona Morta tem trechos de pouca agitação e outros onde você pode pensar “onde isso vai dar?”, mas tudo se encaixa e em nenhum momento o texto se torna monótono, fazendo com que King entregue uma das suas melhores obras. A fluidez e riqueza do texto é incrível, os personagens são cativantes e a história é uma daquelas que ficam na cabeça dias após o fim da leitura. 


Originalmente lançado em 1979, o livro recebe nova roupagem pela Suma que mais uma vez fez um lindo trabalho. A obra virou filme em 1983 e é uma adaptação decente apesar das alterações e da falta de simpatia no John Smith de Christopher Walken. Durante toda a leitura fiquei pensando o quanto seria bacana uma nova adaptação, ambientada nos dias atuais, onde muito provavelmente Johnny seria assediado incansavelmente por câmeras de celular e se tornaria viral no YouTube ao menor sinal do seu dom. Na minha opinião A Zona Morta é um dos livros mais humanos do Stephen King, e com certeza um dos meus favoritos.

Nota: 5/5 ★♥
O Livro no Skoob: A Zona Morta

Um comentário:

  1. Oi Thalita!
    Eu também gosto muito de A Zona Morta. É um daqueles livros em que o sobrenatural é só desculpa para colocar o personagem em uma situação extrema, né? O Jhonny com certeza seria muito assediado hoje!
    Beijos,
    Alem da Contracapa

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