Desapego de Livros

Por mais que as vezes seja necessário, desapegar de livros não é tarefa fácil. De tempos em tempos vem um comichão e me pego olhando para as prateleiras e pensando quais títulos poderiam sair dali. Eu os classifico de maneira a tornar a missão menos dolorosa.

Geralmente começo com os “gostei, mas não tanto assim”. Se leio algo que não gosto prontamente me desfaço do livro. Eu geralmente trocava no Skoob, mas desde a compra do Kindle venho evitando trocar, então dou o livro para alguém ou ponho a venda. Os “gostei, mas não tanto assim” são os não gostei totalmente, mas que na época fiquei na dúvida se me desfazia ou não, então foram para a prateleira. 

Mesmo esses às vezes são difíceis de se desfazer, pois alguns deles possuem uma história. É o caso de “O Guardião de Memórias”, primeiro livro que recebi em uma troca ou a “Saga Crepúsculo” que marcou uma época da minha vida, mas que não gostei nem quando li com meus 18 anos. São exemplos que sempre ficam na corda bamba quando resolvo fazer um desapego. A “Saga Crepúsculo” finalmente saiu da prateleira, mas foram anos pensando em me desfazer ou não dele.

Últimos desapegos!
A segunda leva é os do “gostei, mas eu leria novamente?”. São os livros que gostei de verdade na época em que li, mas que agora parecem não fazer mais sentido em estar aqui. A “Trilogia Millennium” ou “O Código da Vinci” são alguns exemplos. Eu pirei na época em que foram lançados, mas quando olho para eles não vem nenhuma vontade de relê-los, então obrigada queridos, que vocês encontrem bons lares e sejam lidos por novas pessoas.

Por fim, mas não menos difícil, os que “comprei, mas vou ler?”. Lembro com certa nostalgia das incríveis promoções em que se comprava três livros por trinta reais. Era fácil se empolgar e colocar no carrinho livros que só estava comprando por estar barato. Hoje, mais consciente e pão-dura, não faria esse tipo de coisa, mas ainda há aqui alguns títulos que comprei em várias promoções e estão encostados a anos. Não adianta pensar “talvez um dia eu leia” pois se fosse para ler já teria lido, então alguns desses vão embora. 

Há outros mínimos fatores também, mas geralmente sigo essa linha. E se eu pego um livro na prateleira e sinto que não deva me desfazer dele por mais que eu não o queira mais, eu o coloco de volta. O momento dele vai chegar, e se não chegar tudo bem. Para mim o desapego tem que ser algo tão prazeroso quanto comprar um livro novo. É arejar o ambiente e abrir espaço para novidades, sem crises ou cobranças, e permitir que o livro cumpra a sua função de ser lido e relido.

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