Hellblade: Senua’s Sacrifice

Senua precisa adentrar em Helheim, o mundo dos mortos na mitologia nórdica, para confrontar Hel e reviver seu amado Dillion. Mas a protagonista sofre de psicose, e além de todos os desafios da jornada precisa enfrentar a si mesma pois vozes falam o tempo todo em sua cabeça. Nem sempre a verdade, nem sempre encorajando, mas algumas vezes com dicas úteis. 


A tela do jogo é limpa, sem indicações de onde ir, barra de vida ou coisa parecida, o que torna a experiência bastante imersiva. As batalhas são dinâmicas e os comandos fluidos e ágeis. Quando a trilha sonora dá as caras ela é muito envolvente, mas na maior parte do tempo escuta-se apenas o som ambiente, além das vozes na cabeça da Senua e da narradora. Inclusive recomenda-se que Hellblade seja jogado com fones de ouvido para o completo aproveitamento da sua sonoplastia.


Os gráficos são de encher os olhos. Interpretada por Melina Juergens, a captura de movimento de Senua é fantástica e suas expressões, principalmente quando olha diretamente para a câmera, chegam a ser perturbadoras de tão realistas. 


Há muito sobre mitologia nórdica na narrativa. Ao longo de sua busca Senua encontra totens que, quando visualizados, trazem informações sobre lendas e deuses. Os totens não são difíceis de se encontrar e nem obrigatórios de se ouvir, mas quem curte mitologia ou quer se informar sobre com certeza vai querer encontrar e ouvir todos.

O estúdio Ninja Theory fez um excelente trabalho ao retratar a psicose. Além de escutar as vozes, Senua também tem perdas de conexão com a realidade e sofre de alucinações e delírios, sintomas que podem ser percebidos em várias situações no jogo, incluindo nos puzzles que aparecem no decorrer da sua jornada. 

E aí reside o maior problema de Hellblade: Senua’s Sacrifice para mim: os puzzles das portas. Para seguir adiante, Senua precisa procurar no cenário formas que se encaixam nas runas que apareceram nas portas que bloqueiam o caminho. Mas isso se repete vezes sem conta. Demorei bastante para terminar um jogo de menos de dez horas de duração porque chegou em um ponto em que eu não aguentava mais. Alguns puzzles são únicos, outros se repetem com menos frequência, mas achei os das portas extremamente chatos.


Produzido por um time de vinte pessoas, o indie AAA da Ninja Theory ganhou diversos prêmios. Não posso dizer que gostei de Hellblade: Senua’s Sacrifice. Após a empolgação inicial os puzzles repetitivos foram mitigando minha boa vontade. Não é um jogo para ser divertido, mas sim envolvente, e não consegui me envolver com sua história mesmo tendo me compadecido das batalhas tanto internas quanto externas de Senua. Apesar de tudo, Hellblade é tecnicamente bem executado e conta com uma protagonista forte cuja abordagem é incomum.


Disponível para: Xbox One, Playstation 4 e PC

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