Hollow Knight

Fiquei tão encantada com Ori and the Blind Florest que assim que terminei pesquisei outros metroidvanias e descobri Hollow Knight, mas minha alegria durou pouco. Na época o jogo estava disponível apenas para PC e como não tenho o hábito de jogar no computador deixei para lá. Finalmente tive a chance de jogar Hollow Knight no Xbox e a espera valeu a pena!


Em Hollow Knight nosso protagonista conhecido apenas por Cavaleiro cai no vasto mundo subterrâneo de Hallownest, um reino agora decadente, mas que promete conter riquezas, glórias e iluminação para os que ousarem encarar suas profundezas. Conforme o Inseto Ancião avisa logo de início, tome cuidado, pois um ar doentio enche o ar e alguns insetos foram levados a loucura.


Um metroidvania apresenta um mapa interconectado que pode ser explorado livremente, com o caminho por vezes bloqueado por exigir uma habilidade não existente no momento, fazendo com que o jogador explore outra área até possuir a habilidade necessária para retornar. Se em Ori and the Blind Florest existia o mínimo de direcionamento, Hollow Knight te deixa totalmente livre, abrindo inúmeras possibilidades para seguir seu caminho e desbravar o jogo da forma que achar mais conveniente dentro do que as habilidades permitem.

Parte do mapa de Hallownest
Essa liberdade me deixou um pouco frustrada logo de início. Sem um rumo a seguir e com a história bastante vaga, andei a esmo até começar a entender um pouco daquele mundo e seu funcionamento. Na segunda localidade que visitei comecei a me encantar, e na terceira estava completamente apaixonada.

A história de Hollow Knight desabrocha aos poucos. Envolto em uma atmosfera melancólica, ao explorar Hallownest você encontra carcaças de insetos, menções sobre um Rei Pálido, diversos inimigos prontos para impedir seu avanço e um ou outro aliado que lhe presta ajuda ou pelo menos troca uma palavra amiga. As informações nem sempre estão claras, deixando a cargo do jogador interpretar aquele novo detalhe e conectar com o que já sabe.


A cada habilidade adquirida novos caminhos podem ser acessados, fazendo com que seja necessário ir e vir várias vezes no mapa. Estações de Besouro agilizam o processo, mas mesmo que seja necessário caminhar bastante para acessar um novo local, eventualmente novidades aparecem nos locais antigos ou uma parede escondida está esperando para ser descoberta, incentivando a exploração e enriquecendo ainda mais a história. 

A jogabilidade é simples. A cada golpe dado pelo Ferrão, o Cavaleiro coleta alma que pode ser convertida em vida ou em magias. Ao longo do jogo pode-se encontrar ou comprar amuletos com características distintas que auxiliam em muito o progresso. Ao vencer um inimigo recebe-se Geo, a moeda corrente em Hollow Knight. Quando o Cavaleiro morre uma sombra negra chamada de Arrependimento toma o seu lugar e todo o Geo é perdido. O Cavaleiro acorda em um banco, que serve de checkpoint, e basta voltar ao lugar onde foi morto para lutar contra seu Arrependimento e recuperar seus Geos.


Os inimigos são muito variados (existem mais de 150 espalhados pelo jogo!) e possuem características próprias, o que exige também técnicas de luta diferentes. Nem sempre sair batendo em tudo é a melhor solução, muitas vezes é necessário recuar, parar e pensar na melhor forma de atacar e vencer. Os chefes são particularmente desafiadores e nem todos são obrigatórios. Caso qualquer etapa do jogo esteja excessivamente difícil siga por outro caminho e retorne depois, talvez alguma habilidade esteja faltando, mas por mais evoluído que o Cavaleiro esteja algumas áreas e chefes exigirão bastante da sua habilidade como jogador. Minha única reclamação do jogo é referente aos checkpoints que algumas vezes estão distantes dos chefes, fazendo com que se percorra longas distâncias repetidamente para ter a chance de lutar novamente.


Apesar do ar triste, tudo em Hollow Knight é cativante. Seus personagens são memoráveis com o Cavaleiro pequeno e valente, o viajante Quirrel e suas diálogos agradáveis, a protetora Hornet e seus rápidos ataques com a agulha e até mesmo os diversos Grubs que precisam ser resgatados de dentro de potes de vidro para retornarem a seu pai. 

Totalmente desenhado a mão em 2D, o cenário de Hollow Knight é muito bonito e suas áreas possuem características próprias como Caminho Verde e seu ar selvagem ou a Cidade das Lágrimas onde a chuva nunca cessa. A trilha sonora é um primor e compõe perfeitamente cada localização, sempre mantendo sua característica melancólica e partindo para tons de maior agitação quando o momento pede.


Criado pelo estúdio australiano Team Cherry (que é composto por apenas quatro pessoas!), Hollow Knight teve parte do seu desenvolvimento pago graças a uma campanha no Kickstarter em 2014 que arrecadou mais de 57 mil dólares. Lançado em 2017 para Windows, Mac e Linux, chegou em 2018 aos consoles, primeiramente em junho no Nintendo Swich e em setembro para Xbox One e Playstation 4. O jogo ganhou diversos prêmios e até julho de 2018 havia vendido mais de 1,250,000 de cópias digitais. Em 2019 será lançado em mídia física.

Inteiramente em português do Brasil, Hollow Knight dá de 10 a 0 em muito AAA por aí. Atualmente tenho 40 horas de jogo e ainda há muito (muito mesmo!) a ser explorado em Hallownest. Com uma história rica e dificuldade na medida certa, se de início tive receio de não gostar, agora Hollow Knight é um dos meus jogos favoritos.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.