Mestre das Chamas - Joe Hill

O mundo está em colapso e literalmente pegando fogo. Os contaminados pelo esporo chamado de Escama do Dragão adquirirem marcas negras e douradas na pele que formam os mais diversos desenhos. O problema é que quem é contaminado pode entrar em combustão espontânea e causar incêndios de proporções catastróficas, pondo a vida de todos ao seu redor em risco.


A enfermeira Harper Grayson se voluntaria para trabalhar em um hospital, mas mesmo tomando todos os cuidados necessários Harper é contaminada e se vê abandonada pelo marido Jakob. Grávida e em meio a serviços públicos se tornando inexistentes e ao terrorismo cometido aos infectados, Harper é salva pelo Bombeiro, um homem capaz de misteriosamente usar a doença a seu favor e controlar as chamas.

Joe Hill é o pseudônimo de Joseph Hillstrom King, filho do Stephen King. Minha primeira experiência com o autor foi em A Estrada da Noite e não foi memorável. Não gostei, mas também não desgostei. Já Mestre das Chamas me conquistou desde os primeiros momentos e se tornou uma das melhores leituras do ano.

O cenário pós-apocalíptico de Joe Hill é criativo e original. Por mais impossível que uma doença do tipo venha a existir, a Escama do Dragão convence. O medo que os saudáveis tem dos doentes desencadeia atos de ódio como o de grupos responsáveis por exterminar os “guimbas”, nome pejorativo dado aos infectados. Estes, por outro lado, se veem isolados, sem maiores esclarecimentos sobre o seu problema e tendo como esperança apenas a ilha de Martha Quinn, local onde poderiam encontrar abrigo e viver em paz. 

Ainda que tenha características próprias, o estilo de escrita lembra bastante o do Stephen King. Seus personagens com poucas descrições físicas se tornam inesquecíveis por conta de suas personalidades cativantes. Hill não tem medo de eliminar figuras queridas e algumas reviravoltas me deixaram chocada. Há até mesmo uma pitadinha de “enrolação” típica do pai. Se analisar friamente Mestre das Chamas poderia ser menor, e por mais que eu tenha adorado o livro é inegável que algumas passagens poderiam ser mais enxutas.


Seus personagens são com toda a certeza o grande destaque. Harper é uma mulher gentil que se torna uma enfermeira fria e concentrada nos momentos de tensão, capaz de manter a calma quando o mundo está desmoronando. Sua mania de ver o mundo pelos olhos da ficção é adorável e fácil de se identificar, fazendo com que o livro seja recheado com referências a Mary Poppins, As Crônicas de Nárnia e principalmente Harry Potter. Referências a obras do Pai King também estão presentes, principalmente relacionadas a obra A Dança da Morte.

Mas quem brilha mesmo é o Bombeiro, o irreverente inglês John Rockwook. A mística em torno do personagem é uma das melhores coisas do livro e seus diálogos sarcásticos junto das tiradas em torno de sua nacionalidade mais de uma vez me fizeram rir com gosto. Também vale citar a amável Renné, uma mulher que encara toda a situação da forma mais positiva possível; Nick, um menino surdo de 9 anos, e Allie, sua irmã adolescente que é uma garota bem bacana e bad ass quando não está tendo atitudes irritantes típicas de adolescente.

Mestre das Chamas mostra a humanidade em suas mais diferentes facetas. Ri, mas também me comovi com a saga dos personagens, e passei o livro todo na expectativa de como aquilo iria terminar. Mestre das Chamas me deixou na curiosidade para conferir todas as obras do Joe Hill.

Nota: 5/5 ★
O Livro no Skoob: Mestre das Chamas

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