Red Dead Redemption 2

Poucas vezes fiquei tão ansiosa para um jogo como fiquei com Red Dead Redemption 2. Apesar de ainda nem ter jogado o primeiro, ele atiçou minha curiosidade quando foi anunciado lá em 2016. Minha expectativa só aumentava a cada imagem ou trailer novo, principalmente depois de finalmente ter acompanhado a trajetória de John Marston graças a retrocompatibilidade do Xbox One. Oito anos após o inicio de seu desenvolvimento Red Dead Redemption 2 foi lançado em 26 de outubro de 2018 para Xbox One e Playstation 4 e a espera valeu a pena!


Os membros da gangue de Dutch van der Linde precisam fugir após um assalto fracassado na cidade de Blackwater. Os tempos agora são outros e há pouco espaço para pessoas que levam a vida como foras da lei. Os detetives Pinkertons e os rivais O'Driscolls estão sempre na cola da gangue e eles mais do que nunca precisam de dinheiro para se estabelecer em algum lugar onde não sejam perseguidos.

Dutch van der Linde em primeiro plano e Arthur Morgan em segundo.
E é na pele de Arthur Morgan que vivenciamos essa prequel. Braço direito do líder da gangue, Arthur é um dos maiores responsáveis pelo bem estar do acampamento e presença leal nos planos de Dutch para se conseguir fundos de formas suspeitas, o que inclui assaltos a carruagens, trens e bancos.

A gangue é composta pessoas com as mais diferentes características e personalidades e cada um tem sua função dentro do acampamento. Ainda que não seja dito diretamente, nota-se que cabe a Arthur levar caça e conseguir munição e medicamentos. Pode-se fazer doações de dinheiro na caixinha e adquirir melhorias como acomodações mais confortáveis ou simplesmente mandar alguém comprar os itens mais necessários em uma cidade próxima. No começo pensei que seria um fardo cuidar do local, mas há sempre missões para serem feitas a partir dali e o ambiente geralmente é gostoso, com comida quentinha e canções a beira da fogueira.


É necessário cuidar de outros detalhes que contribuem para uma incrível imersão no jogo. Arthur precisa se alimentar e dormir com regularidade, caso contrário a saúde é afetada e o rendimento cai. Armas devem ser limpas ou não funcionam direito. Os NPCs podem não ir com a sua cara caso esteja todo sujo de sangue. 

E os NPCs são muito bem trabalhados e inteligentes. Esbarrar em qualquer um deles renderá xingos e reclamações que Arthur pode amenizar ou retrucar de volta. Se a situação ficar feia eles podem fazer uma denuncia e aí só pagando a recompensa para livrar a sua cabeça. No começo do jogo atirei em um deles por engano e a cidade inteira entrou em polvorosa. Na estrada se encontram diversos desses personagens menores, seja em apuros ou simplesmente querendo apostar uma corrida de cavalos, e ajudá-los (ou agredi-los) altera seu nível de honra. Ao contrário do que acontece no primeiro jogo, aqui o nível de honra influencia a maneira como Arthur vê o mundo e tem imenso impacto na história.


John Marston é um personagem extremamente marcante e cabia a Arthur Morgan ao menos se igualar a ele. E ele supera. Durão, Arthur não tem muita paciência para amenidades e faz o que tem que ser feito, mas conforme a história avança nota-se o quanto ele é um personagem muito melhor desenvolvido e profundo. Ele carrega consigo um diário onde é possível perceber ainda mais o quanto ele é observador, perspicaz e até mesmo sensível em alguns momentos, além de ótimo escritor e excelente desenhista.

Arthur Morgan
Outro personagem que se destaca é Sadie Adler, exímia atiradora dona de um pavio curto e presença feminina forte no jogo. Adorei a Sadie e fiquei com muita vontade de jogar uma DLC tendo ela como protagonista. Não posso dizer que gostei do Dutch, mas é inegável o quanto ele é um líder envolvente, sempre inspirando a gangue com seus sonhos de mudança.

Sadie Adler
Sou daquelas que geralmente pula as missões secundárias, mas as de Red Dead Redemption 2 dão gosto de fazer. Elas nos apresentam personagens carismáticos e narrativas únicas como uma pesquisadora que pede para ajuda-la a encontrar ossos de dinossauro ou um inventor que precisa de auxílio para testar sua cadeira elétrica. Realmente fiquei com vontade de concluir todas.

Gostei muito como alguns temas foram inseridos de forma natural na narrativa. Em dado momento, Arthur participa de uma passeata em prol do voto feminino e fica incomodado com a maneira como aquelas mulheres são tratadas. Caso mate um cavalo em uma cidade, você pode ser denunciado por maus tratos aos animais. Se encontrar um grupo da Klu Klux Klan reunido na floresta mande bala sem dó que sua honra não diminuirá.


Aqui o melhor amigo do homem é o cavalo e você precisa cuidar bem do seu. Conforme você se dedica a ele os níveis de afinidade sobem e suas habilidades aumentam. Um cavalo com uma afinidade alta é mais confiável e se assusta menos com tiros e predadores. As 19 raças diferentes possuem características próprias, indo desde o gigante Shire até o esguio e veloz Puro-Sangue Árabe. 

Você pode dar nome ao seu cavalo e alterar alguns detalhes, como estilo, cor e tamanho das crinas e caudas. Arthur pode manter até 4 cavalos em um estábulo, e caso o seu companheiro equino morra ele morre de verdade! Joguei a primeira metade do jogo com uma Puro-Sangue Inglês que roubei, a Queen Elizabeth, e fiquei bem triste quando ela pereceu em um acidente bobo.



No total há mais de 200 espécies de animais diferentes no jogo e você pode passar bastante tempo caçando ou pescando. A carne pode ser utilizada na alimentação e peles e penas na customização de diversos itens. Espalhados pelo imenso mapa se encontram animais lendários que quando caçados liberam criações de itens exclusivos. Também é possível colher plantas para temperar alimentos e confeccionar remédios.


Os gráficos de Red Dead Redemption 2 são absurdamente realistas. Os personagens se movem de forma natural, a roupas possuem textura, os rostos carregam emoções completas. As cutscenes se mesclam perfeitamente com o gameplay. A fotografia das paisagens, sobretudo no amanhecer ou entardecer, são surreais de tão bonitas. Enquanto viaja de um ponto a outro pode-se ativar o “modo de cinema” e acompanhar a trilha de vários ângulos como se estivesse assistindo a um filme. O clima é dinâmico e de uma hora para outra Arthur pode se ver em meio a névoa espessa ou em uma tempestade pesada.


E o realismo vai além. O personagem sente frio ou calor de acordo com a temperatura o que implica em trocas de roupas pelo caminho. Animais que você caça e deixa amarrados na garupa do cavalo apodrecem com o tempo. Ao entrar em uma mercearia, pode-se pegar certos itens direto da prateleira. Barbas e cabelos crescem conforme os dias passam e você pode cortá-los ou penteá-los em estilos diferentes. 

Outro detalhe é trilha sonora instrumental. Suave na maior parte do tempo, algumas vezes deixando o jogador apenas com os sons da natureza e o bater dos cascos do cavalo, entra em um ritmo mais agitado e urgente dependendo do momento ou da missão, trazendo até mesmo músicas em momentos específicos que fazem toda a diferença.

𝅘𝅥𝅮𝅘𝅥𝅯 May I? Stand Unshaken 𝅘𝅥𝅮𝅘𝅥𝅯
Apesar de eu adorar gráficos que enchem os olhos e mecânicas inovadoras, um bom jogo precisa sobretudo contar uma boa história, de preferência uma que cative e se torne memorável. Com um roteiro sensacional que te prende do inicio ao fim, Red Dead Redemption 2 é uma obra caprichada, pensada nos mínimos detalhes e de forma jamais vista em um jogo de mundo aberto. Me senti completamente envolvida com aqueles personagens e Arthur Morgan é um dos melhores protagonistas que tive o prazer de acompanhar. Red Dead Redemption 2 me divertiu e me emocionou, superou minhas expectativas, fez valer minha ansiedade, e se tornou um dos melhores jogos da minha vida. 

Confira o trailer e bom jogo!

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